segunda-feira, junho 09, 2008

Ricardo 1

Ricardo Alexandre Martins Soares Pereira, conhecido simplesmente como Ricardo (Montijo, 11 de Fevereiro de 1976) é um guarda-redes português, que defende actualmente a baliza do Real Betis Balompié. Além disso é o guardião titular da Selecção Portuguesa de Futebol que já representou 62 vezes.

Em 94/95 começou a sua carreira no clube da sua terra, o Montijo, que se encontrava na II divisão B. Fez 18 jogos a contar para o campeonato enquanto lá estava mas depois foi transferido para a I divisão onde jogou no Boavista. A sua estreia no clube, e consequentemente na I divisão, foi no jogo Boavista - Belenenses (1-1) que se realizou no dia 2 de Fevereiro de 1997. É também importante salientar que o guarda-redes jogou todo o jogo não tendo qualquer espécie de lesão.

No mesmo ano Ricardo ganhava o seu primeiro título como jogador: o Boavista tinha conquistado a Taça de Portugal e um ano depois, em 97/98, é conquistada a Supertaça de Portugal.

Sempre muito acarinhado pelos adeptos, foi determinante na conquista do primeiro campeonato boavisteiro (em 2000/01) e depois também na caminhada europeia que em 2003levou o Boavista às meias finais da Taça UEFA.

Na época 03/04 Ricardo transferiu-se para o Sporting.

Mas Ricardo chegou ainda mais longe, ficou célebre por ter defendido uma grande penalidade sem luvas no desempate dos quartos de final do Euro 2004 realizado em Portugal, onde a equipa da casa jogou com a Inglaterra, tendo posteriormente sido o marcador da ultima grande penalidade, que qualificou a selecção portuguesa para as meias-finais da prova (Euro 2004).

Recentemente, no Mundial de 2006, defendeu três penaltis contra a Inglaterra, colocando a Selecção portuguesa entre as 4 melhores equipas do Mundo. Actualmente é jogador do Real Bétis em Espanha.

Palmarés

Outros



domingo, junho 08, 2008

Quim 12

Joaquim Manuel Sampaio Silva mais conhecido por Quim (Vila Nova de Famalicão, 13 de Novembro de 1975), jogador de futebol português que representa actualmente o Benfica. Estreou-se no principal campeonato Português na época de 1994/1995 ainda ao serviço do seu anterior clube, Sporting Clube de Braga. Em pouco tempo ganhou o lugar na sua equipa e a sua qualidade e trabalho desenvolvido foram reconhecidos com a chamada à Selecção Portuguesa em 1999. Não participou no Mundial de 2002 devido a um controlo anti-doping positivo. Na época 2004/05 deu finalmente o salto para um grande clube, o Benfica, acabando por conquistar a titularidade e o seu primeiro título de Campeão Português. Lesionou-se recentemente ao serviço da selecçao nacional no euro 2008, com uma fractura no pulso, sendo substituido por nuno espirito santo.



->Palmarés:

  • Campeão Europeu Sub 18 ;

  • Vencedor Taça de Portugal 2003/2004 ;

  • Vice Campeão Europeu 2004 ;

  • Vencedor da Super Taça 2004/2005 ;

  • Campeão Nacional 2004/2005


Euro 2008




Com a chagada do euro e com a excelente entrada da selecção Portuguesa no jogo contra a selecção turca, nestes próximos dias, irei publicar aqui alguns vídeos sobre os heróis Portugueses ("ESPERO EU"), que de tudo farão para que o sonho Luso se concretize. A vitória de um campeonato europeu. Já estivemos perto em 2004... Mas dos segundos lugares não reza a historia. É preciso mais e melhor... E neste europeu, acredito...

sexta-feira, maio 30, 2008

Força Portugal

Como Português que sou, e que me orgulho em ser, quero aqui deixar um "Força Portugal" a toda a selecção Nacional e a todos os Portugueses. Sim, porque apesar de a maior parte de nós, Portugueses, não termos possibilidade de acompanhar os jogadores até á Áustria-Suíça, ficaremos cá, numa televisão mais próxima a sofrer e a vibrar por eles. Confesso que no Mundial de 2006 quase me dava um ataque no jogo Portugal-Inglaterra. Aqueles malditos penalty´s quase me mataram do coração. É com este pensamento que deixo também um força Portugal a todos os Portugueses.
Quero também deixar aqui o aviso para que quem, por algum motivo, ainda não é sócio da nossa Selecção, que se faça o mais rapidamente possível aqui (Não tem custos nenhuns). Está provado que quando os Portugueses se juntam numa causa, saímos sempre bem vistos e orgulhosos de Portugal. É com o futebol, com a volta a Portugal em bicicleta, é no rugby...

Deixo agora um pequeno vídeo retirado do youtube com algumas imagens do Universo Português em redor da nossa selecção.

BOA SORTE SELECÇÃO... E conquistem o "raio da taça de vez"!!

Euro 2008

Agora que terminou o campeonato nacional de futebol, o povo português pode enfim concentrar-se naquilo que verdadeiramente importa: o campeonato europeu de futebol. O facto de a competição se disputar, desta vez, no estrangeiro, não nos isenta do dever de, num acto prenhe de patriotismo, voltarmos a engalanar as nossas janelas com as melhores bandeiras portuguesas que se fabricam em território chinês. Em 2004, o professor Marcelo incentivou os portugueses a desfraldarem bandeiras nacionais por essas vidraças afora, de modo a mostrar a toda a gente o orgulho que nós, enquanto povo, temos em fazer compras nas lojas dos trezentos. Desta vez, se me permitem, gostaria de me adiantar ao professor Marcelo numa proposta de elevado valor patriótico. Saliente-se que o faço por simples amor ao País, e não por querer ser Presidente em 2016. A minha sugestão é a seguinte: além da bandeira nacional, ornamentemos os nossos parapeitos com um busto da República e uma fotografia do Cavaco. Nada contra a bandeira, que é bonita e ondula ao vento como ninguém (melhor do que o busto, por exemplo), mas desbota depressa e tem tendência para esfiapar ao fim de uma semana ou duas.Já o busto, que é de gesso, resiste melhor à intempérie. Além disso, como a República tem um seio de fora, entusiasma um pouco mais (com todo o respeito para com a esfera armilar, também ela muito sensual, à sua maneira). A fotografia do Presidente, além de completar este ramalhete patriótico, contribui para espantar os pombos, inibindo a passarada de debicar a bandeira e de se empoleirar no busto.Confesso que ficarei muito triste se o povo português, que aderiu tão maciçamente à proposta do professor Marcelo, não fizer caso da minha só porque é um pouco mais onerosa e, em certa medida, parva. Mas a desilusão será mitigada pelo facto de o País já estar completamente empenhado no Euro, e com razão.O Público de segunda-feira trazia uma interessante reportagem que juntava especialistas em futebol, como Humberto Coelho ou Bruno Prata, e completos leigos que pouco ou nada sabem sobre bola, como José Diogo Quintela ou Artur Jorge. Afinal de contas, já só faltam 23 dias para o jogo de abertura. Não temos muitos dias para iniciar a nossa preparação, enquanto adeptos. Em meados de Junho, teremos de estar com os níveis de patriotismo no ponto certo para apoiar os jogadores da selecção nacional e suportar com denodo a desilusão que eles vão proporcionar-nos desta vez. Todo o tempo é pouco.
Retirado de www.visao.pt
Artigo de opinião de Ricardo Araújo Pereira

domingo, maio 18, 2008

EU TAMBÉM QUERIA UM CARRO COMO O K.I.T.T. POSSO TER UM???

A resposta é simples... Compra um iPhone, e talvez um dia poderás ter uma espécie de K.I.T.T!

Foi apresentado na
CES 2008 um novo conceito muito interessante pela empresa Delphi. Estes criaram uma aplicação web que corre num "simples" iPhone, que permite controlar um carro (um GMC Acadia).



O prototipo apresentado era capaz de mostrar dados relativos ao funcionamento do automóvel. Abrir e fechar vidros, guardar as definições de conforto do utilizador (posição e altura do banco), colocar o motor em funcionamento entre outras.

O iPhone controla todas estas características, comunica com o veículo através da Internet, o que pode ser muito “interessante” em termos de segurança.

OK, é só um prototipo mas poderá vir a ser comercializado num futuro próximo. Para já, irá ser com certeza melhorado até serem corrigidas todos os potenciais elementos de falha.

Imaginem o porreiro que será podermos fazer corridas de carros de tamanho real utilizado apenas iPhones com ligação WiFi!!

Vejam a demonstração...

Brutal!!!!!

Fonte -> http://www.pplware.com/

sexta-feira, maio 16, 2008

Ler jornais é saber mais ou menos o mesmo

Metade do que se escreve sobre mim na imprensa é mentira; a outra metade é deprimente. Os jornalistas perguntam-me muitas vezes se costumo ter problemas com as pessoas, na rua. Se me incomodam, se me causam transtornos de qualquer espécie. A verdade, porém, é que só tenho problemas com jornalistas. O público tem a grande sensatez de não me ligar nenhuma.
O elemento principal no conflito que me opõe aos jornalistas é este: eles levam a mal que a minha vida seja ligeiramente menos excitante que a da Elizabeth Taylor. E tomam em mãos a tarefa de acrescentar sofisticação à minha triste existência. Creio que tudo começou há três ou quatro anos, quando certa jornalista quis escrever uma peça sobre os meus luxos e excentricidades. Constatando que não existiam, viu-se forçada a inventar alguns. Foi, no entanto, uma invenção fortemente alicerçada nos factos. A senhora telefonou para o Jornal de Letras na esperança de descobrir se a vocação para o requinte tinha começado no meu primeiro local de trabalho. Era, convenhamos, o sítio ideal para procurar. Se há glamour, é no Jornal de Letras. As festas espampanantes, o convívio permanente com estrelas internacionais e as noitadas de sexo e álcool fazem da publicação a Vogue portuguesa. Sucede que, por azar, naquela semana o JL celebrava um aniversário, e eu tinha enviado aos meus antigos camaradas de redacção um desses cestos que se encomendam na net e que têm flores, chocolates e vinho espumoso. «De que marca é o champanhe?», perguntou a jornalista. Parece que era francês. E assim nasceu o mito da minha grande afeição por champanhe francês. Se eu bebo champanhe duas vezes por ano, é muito. E não faço questão de lhe investigar a nacionalidade. Mas, depois daquele artigo, não há nenhuma nota que se escreva sobre mim na imprensa que não contenha a referência ao facto de eu ser um refinado apreciador de champanhe – e do francês.
Outro jornal, há uns meses, publicou uma detalhada reportagem sobre as minhas «férias de luxo» (quase tudo o que eu faço é, para a imprensa, «de luxo». «Ricardo Araújo Pereira foi à mercearia comprar dois quilos de batatas de luxo», é uma hipótese de título). Eu teria estado na Tailândia, que nem um nababo, em duas praias magníficas. Na verdade, em 34 anos de vida, nunca fui para oriente de Istambul. E naquele ano, se não estou em erro, tinha passado as férias em casa. É claro que a publicação de mentiras sobre mim me incomoda. Mas confesso que o que me indigna acima de tudo é o facto de a vida que os jornalistas inventam para mim ser melhor do que aquela que eu, na realidade, vou levando.
Mais recentemente, outra jornalista foi acompanhar um dia de gravações do Gato Fedorento. Sendo, como sou, um carroceiro (característica da minha personalidade que a imprensa nunca refere, porque é difícil de conciliar com a de apreciador de champanhe), em determinada altura fiz uma piada obscena que implicava designar certa parte do meu corpo por «os tintins». A jornalista foi para a redacção e escreveu dois ou três sólidos parágrafos sobre o meu apreço por banda desenhada em geral e pela obra de Hergé em particular. E é assim que, hoje em dia, sempre que sou convidado para ir falar a uma escola, por exemplo, os miúdos me recebem invariavelmente com um livro do Tintim, para a minha colecção. «Esperamos que ainda não tenha este», dizem eles. Como não tenho nenhum, acertam sempre.
Para dizer a verdade, nada disto me afecta especialmente. Há já muito tempo que não leio nada do que se escreve sobre mim. E não é pelas imprecisões constantes, nem sequer por sobranceria relativamente à opinião dos outros. É o tema que não me interessa.
Retirado de www.visao.pt de Ricardo Araújo Pereira

segunda-feira, maio 05, 2008

Estacionamento para mulheres onde elas realmente precisão

Centros comerciais com estacionamento reservado a mulheres grávidas ou cidadãos com deficiência não são novidade. Mas o shopping 8.ª Avenida, inaugurado, há um mês, em S. João da Madeira, decidiu acrescentar lugares exclusivos para... as mulheres, mais largos do que os "normais" e até mais generosos do que alguns dos espaços reservados para deficientes, mulheres grávidas ou idosos. Muitos sanjoanenses, que não poupam nos elogios à nova coqueluche do concelho, consideram a medida discriminatória.São apenas quatro lugares de estacionamento, no parque interior, destinados em exclusivo aos clientes do sexo feminino, num universo de 1400. Mas estes espaços, pintados de cor de rosa, e que se encontram a poucos metros de outros estacionamentos reservados a grávidas e a mulheres com crianças, famílias numerosas e a cidadãos com deficiência, são os que causam estranheza quase imediata à generalidade da clientela, até às próprias mulheres."Nem tinha reparado que havia espaço exclusivo para nós, mas também nem era preciso", adiantou, ao JN, Rosa Silva, uma estudante de Oliveira de Azeméis, que considera a iniciativa "despropositada". Mas para o responsável do centro comercial, José Duarte Glória, a explicação é simples e, na sua opinião, sem justificação para considerações menos abonatórias. Adianta que a cedência dos lugares de estacionamento para as senhoras se trata, apenas, de uma "gentileza" para com as clientes. Lembra que os espaços em causa se encontram junto dos acessos directos às lojas comerciais, facilitando, dessa forma, a deslocação dos clientes do sexo feminino. "Queremos que as senhoras e outros clientes se sintam bem no centro comercial", justifica.
Antes do espaço de estacionamento reservado às mulheres, já o centro comercial era motivo de conversa obrigatória na cidade, por causa dos inovadores WC dos homens, que ostentam uma montra em vidro, por detrás dos urinóis, onde se encontram vários manequins vestidos com roupas e poses sensuais. Já visitaram o espaço cerca de 412 mil pessoas. Mais de 20 mil já frequentaram as salas de cinema.
De Salomão Rodrigues in Jornal de noticias

Portugal

"Nos séculos XV e XVI os Portugueses eram os grandes conquistadores, ao darem novos mundos ao mundo. Foram, sem qualquer dúvida, anos de glória, de que todos nos orgulhamos! Um país pequeno, à beira mar plantado, que partiu à descoberta dos mares e das riquezas que moravam do outro lado do mundo.
Vários séculos depois, com uma generalizada falta de confiança, importa perceber quais são as nossas conquistas actuais. Importa dar a conhecer os novos “Vascos da Gama”, que possam servir de referência para as gerações mais jovens, e de orgulho para as menos jovens.
Temos o Futebol Clube do Porto, mas “há” 6 milhões que não se revêem neste grande clube. Claro que temos o Cristiano Ronaldo, mas a confiança de um povo não pode, nem deve, depender só do futebol. Temos a Mariza, mas nem só da música podemos viver. Temos José Saramago, mas a literatura também não alimenta o espírito de todos. Precisamos de mais... de outros valores.
Mas o que mais temos nós que possa ser motivo de orgulho? Quem são outros dos nossos “conquistadores” contemporâneos? Temos a ciência portuguesa! Temos os investigadores portugueses! Temos as descobertas importantes que vão sendo feitas por estes investigadores! Não são heróis, nem devem ser idolatrados. Mas podem ser motivo de orgulho!
Portugal tem vindo a fazer uma aposta firme na formação avançada que está a dar frutos. Muitos portugueses têm tido a oportunidade de trabalhar nos melhores laboratórios, nas melhores Universidades, com os melhores investigadores por todo o mundo. Por um lado, estas pessoas têm tido oportunidade de desenvolver trabalhos de grande qualidade, que são depois publicados nas melhores revistas, como a Science, a Nature, ou a Cell. Por outro lado, têm mostrado que os portugueses são tão capazes como “os outros”.
Por norma, são pessoas muito motivadas e trabalhadoras, e por isso os casos de sucesso são numerosos. Para além de todos estes sucessos fora de portas, há também vários grupos portugueses em Portugal que têm sido capazes de desenvolver trabalhos de mérito reconhecido, com impacto internacional. Para se ser bom não é necessário sair de Portugal, e temos vários exemplos destes. Mas passar algum tempo no estrangeiro deve fazer parte da formação científica.
Ajuda-nos a compreender como os outros funcionam, como pensam, e ajuda-nos também a perceber o que é bom e o que é menos bom e que devemos evitar. Ajuda-nos a aumentar a dimensão das nossas conquistas. Ir para fora deve ser visto como algo natural e não como uma “fuga de cérebros”, uma ideia que, quanto a mim, tem sido alimentada de forma errada, já que não são investigadores já estabelecidos e com provas dadas que saem de Portugal. De qualquer forma, o desafio para Portugal está em atrair mais investigadores. Quer sejam portugueses ou estrangeiros. Precisamos dos que têm qualidade e são competitivos sendo também capazes de atrair financiamento internacional para o nosso país. E precisamos de lhes dar condições para que possam desenvolver os seus trabalhos.
Como país, precisamos de políticas concertadas que apostem na ciência a longo prazo, independentemente dos governos que possamos vir a ter. Temos semeado muito, e temos de perceber que estas colheitas só se farão daqui a vários anos. Temos de ser confiantes, primar pela qualidade, e explicar às pessoas que o que fazemos lhes vai ser útil. Temos de continuar a mostrar lá fora que temos qualidade, que temos ideias, e que sabemos fazer ciência, para aproveitarmos o potencial do nosso país.
Os investigadores devem também assumir o seu papel na divulgação das suas actividades, e conquistar espaço junto do público. Em Portugal temos ainda uma grande distância entre os investigadores e o público, o que faz com que muitas pessoas não percebam e não se interessem pela ciência. Neste campo as melhorias têm sido significativas, muito pelo trabalho da agência Ciência Viva. Mas outros agentes se têm encarregado de fazer comunicação de ciência, levando as conquistas e actividades científicas a todo o mundo, através da Internet. Aqui o destaque vai para o Ciência Hoje (www.cienciahoje.pt), lido em mais de 130 países, e com 14 mil visitas por dia. Números que impressionam, e que ilustram a importância da divulgação destes temas.
Mas, apesar de todos estes sinais positivos, nem tudo é ainda perfeito no nosso país e a ciência tem um longo caminho a percorrer. Precisamos de mais investimento, mais investigadores, mais ciência. Precisamos que toda a “máquina” que envolve e suporta a investigação propriamente dita esteja bem “oleada” e a funcionar continuamente, independentemente dos governos ou da política.
Cabe-nos a todos assumir o nosso papel como “conquistadores natos”, e trabalhar no sentido de impulsionar a ciência portuguesa, sabendo que, por esse mundo fora, há muitos com vontade de serem tão ou mais conquistadores do que nós. Por isso não basta parecê-lo. Temos de o ser"!


Por Tiago Fleming Outeiro

terça-feira, abril 22, 2008

No meu tempo não era assim

Quando este texto for publicado, o leitor já viu várias vezes o vídeo em que uma aluna da escola Carolina Michaëlis dá início a um motim porque a professora de Francês teve a ousadia de lhe confiscar o telemóvel. (Se não viu o filme, digo-lhe que impressiona. Sobretudo porque, enquanto a generalidade dos cidadãos é assaltada na rua, a esta senhora o gang apareceu-lhe no local de trabalho.) Também calculo que já terá tido oportunidade de ouvir várias pessoas a garantirem-lhe que isto, no tempo delas, não era assim. Eu nunca perco uma oportunidade de me juntar a um coro de moralistas (que, normalmente, têm uma afinação irrepreensível), e por isso estou aqui para dizer o mesmo: isto, no meu tempo, não era assim.
Era pior. Sobretudo porque não havia telemóveis. Privados da possibilidade de filmar os seus actos de indisciplina, os alunos do meu tempo tinham muito mais dificuldade em tomar consciência da sua própria idiotia. O filme da escola Carolina Michaëlis tem essa virtude: mostra a idiotice em toda a sua nudez. Um regalo para os meus olhos, que aprecio muito idiotice – e nudez ainda mais. Acredito sinceramente que, depois de verem a figura que fizeram, tanto a protagonista do filme como o magnífico cineasta que captou a acção, lançando a todo o passo estupendas indicações de cena, não voltarão a comportar-se assim. No meu tempo, teríamos continuado. Um alarve que toma consciência de ser alarve insiste na alarvidade? Não creio. E se um alarve cair no meio de uma floresta e não estiver lá ninguém para ouvir, faz barulho? Julgo que sim, e confesso que até espero que se aleije com alguma gravidade na queda.
A verdade é que, se há coisa que nunca muda em toda a História da Humanidade é esta: os adolescentes são parvos em todo o lado. Todos os senhores respeitáveis já foram, numa altura ou noutra, adolescentes parvos. Jorge de Sena começa um livro autobiográfico dando conta da «indisciplina ruidosa» que eram as suas aulas de Filosofi a. Que, notem, decorreram no tempo dele. Tempo esse que é bem anterior ao tempo dos que agora dizem que no seu tempo isto não era assim. Está baralhado com isto dos tempos? Siga para o próximo parágrafo, que é já o penúltimo.
É por isso que a culpa do que sucedeu na escola Carolina Michaëlis, a ser de alguém, é da professora. Ser professor de liceu é das actividades mais insolentemente arrogantes a que alguém se pode dedicar: trata-se de pretender ensinar coisas a quem já sabe tudo. Eu, pelo menos, sabia tudo aos 15 anos. A própria Carolina Michaëlis, que era tão boa senhora, sabia com certeza muito mais aos 15 anos do que quando foi ensinar para a Universidade de Coimbra. Toda a gente sabe tudo aos 15 anos. Só com o passar do tempo se vai descobrindo, com razoável sobressalto, que não se sabe quase nada. Mas há duas ou três pessoas que nunca aprendem o seguinte: o tempo delas, apesar de contar com a sua inestimável presença, não é especial em nada. No meu tempo, aliás, toda a gente sabia isto.
Nota: Não conheço bem as recentes propostas do Ministério da Educação e por isso não sei se, actualmente, posso pronunciar-me acerca de um professor sem o avaliar. Aqui fica, então, a minha avaliação da professora de Francês da escola Carolina Michaëlis, baseando-me apenas nas imagens do vídeo:

Resistência: 17

Capacidade de sofrimento: 19
Equilíbrio: 16
Persistência: 18


Retirado de http://www.visão.pt/ de Ricardo Araújo Pereira

sábado, abril 05, 2008

Filme August Rush - O Som do Coração

August Rush (Freddie Highmore) é um rapaz que consegue ouvir música em qualquer parte, seja no ruído do vento a trespassar a relva ou no roncar do metro. Aos seus ouvidos, todos os sons constituem uma intensa sinfonia. Evan Taylor, de seu nome verdadeiro, acredita piamente que através da música vai conseguir encontrar os seus pais e que estes o amam e procuram com tanto ardor quanto ele. Ele nunca os conheceu, nem tem qualquer informação sobre eles, mas tem uma fé inabalável.Ele ainda não sabe mas a música corre-lhe mesmo nas veias. Tal como nos é contado inicialmente, o seu pai, Louis Connelly (Jonathan Rhys Meyers), um cantor de rock irlandês, e a sua mãe, Lyla Novacek (Keri Russell), uma violoncelista clássica americana. Os dois apaixonaram-se à primeira vista e conceberam-no num terraço com vista para Washington Square, durante uma noite inesquecível. Os dois não tardaram a separar-se, com a "ajuda" do pai de Lyla (William Sadler).Vários meses depois, ela é atropelada e dá à luz prematuramente. Num dos vários twists absurdos do filme, o pai falsifica a assinatura de Lyla, dá o bebé para adopção, e diz-lhe que a criança morreu ao nascer. Desencantados, Louis e Lyla vão desinvestindo das suas carreiras.Entretanto, Evan abandona o orfanato onde viveu nos últimos 12 anos, em New Jersey e viaja até Nova Iorque, na esperança de aí encontrar a sua família. Na cidade, trava conhecimento com um menino de rua que toca guitarra em troca de um punhado de moedas e decide juntar-se a ele. É assim que encontra uma dúzia de crianças que vivem num abrigo improvisado num teatro abandonado, sob a protecção de um Mago enigmático (Robin Williams).Nessa noite, ele pega na viola e faz um brilharete como se dominasse o instrumento há anos. O Mago fica impressionado com o seu talento e treina-o para ser um verdadeiro artista. Claro que, em troca, vai recolhendo os louros deste pequeno grande músico de rua.A carreira deste prodígio musical segue em crescendo e este acredita que, através de cada nota, consegue chamar os seus pais. Passados seis meses, "August Rush" já está a dirigir uma orquestra que interpreta um original seu num auditório em pleno Central Park.O facto é que também eles o procuram. Depois de saber que o seu filho está vivo, Lyla tenta localizá-lo com a ajuda de um reconhecido assistente social, Richard Jeffries (Terrence Howard). Louis começa a ser assombrado pelas lembranças do seu único e verdadeiro amor e volta a dedicar-se à sua música, enquanto se encaminha para o lugar onde eles se encontraram...Este conto de fadas contemporâneo foi realizado por Kirsten Sheridan - filha de Jim Sheridan e argumentista de "Na América" (2003) - e nomeado para o Óscar de Melhor Canção, graças a "Raise it Up".
Trailer


quarta-feira, abril 02, 2008

IKEA - Puzzle para adultos

"Os problemas dos clientes do IKEA começam no nome da loja. Diz-se «Iqueia» ou «I quê à»? E é «o» IKEA ou «a» IKEA»? São ambiguidades que me deixam indisposto. Não saber a pronúncia correcta do nome da loja em que me encontro inquieta-me. E desconhecer o género a que pertence gera em mim uma insegurança que me inferioriza perante os funcionários. Receio que eles percebam, pelo meu comportamento, que julgo estar no «I quê à», quando, para eles, é evidente que estou na «Iqueia».
As dificuldades, porém, não são apenas semânticas mas também conceptuais. Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros. Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava seiscentos quilos. Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta de carga para carregar a tralha toda até à registadora. Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá sem duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada. O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho doze estantes e três hérnias.
É claro que há aspectos positivos: as tábuas já vêm cortadas, o que é melhor do que nada. O IKEA não obriga os clientes a irem para a floresta cortar as árvores, embora por vezes se sinta que não faltará muito para que isso aconteça. Num futuro próximo, é possível que, ao comprar um móvel, o cliente receba um machado, um serrote e um mapa de determinado bosque na Suécia onde o IKEA tem dois ou três carvalhos debaixo de olho que considera terem potencial para se transformarem numa mesa-de-cabeceira engraçada.
Por outro lado, há problemas de solução difícil. Os móveis que comprei chegaram a casa em duas vezes. A equipa que trouxe a primeira parte já não estava lá para montar a segunda, e a equipa que trouxe a segunda recusou-se a mexer no trabalho que tinha sido iniciado pela primeira. Resultado: o cliente pagou dois transportes e duas montagens e ficou com um móvel incompleto. Se fosse um cliente qualquer, eu não me importaria. Mas como sou eu, aborrece--me um bocadinho. Numa loja que vende tudo às peças (que, por acaso, até encaixam bem umas nas outras) acaba por ser irónico que o serviço de transporte não encaixe bem no serviço de montagem. Idiossincrasias do comércio moderno.
Que fazer, então? Cada cliente terá o seu modo de reagir. O meu é este: para a próxima, pago com um cheque todo cortado aos bocadinhos e junto um rolo de fita gomada e um livro de instruções. Entrego metade dos confetti num dia e a outra metade no outro. E os suecos que montem tudo, se quiserem receber".
Retirado de www.visao.pt de Ricardo Araújo Pereira